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PL da Dosimetria Pode Cortar Pena de Bolsonaro em Mais de 50%

A nova legislação ataca três frentes que favorecem a redução do tempo de prisão.

06/05/2026
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FOTO:(MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL)

O cenário penal para o ex-presidente Jair Bolsonaro sofreu uma reviravolta nesta última semana de abril de 2026. Com a rejeição do veto presidencial pelo Congresso Nacional — por 318 votos na Câmara e 49 no Senado — o chamado PL da Dosimetria torna-se lei, alterando regras fundamentais sobre como as penas são calculadas e cumpridas no Brasil.

Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, é um dos principais beneficiados pela nova norma. Embora a redução não seja automática e dependa de análise individual do Supremo Tribunal Federal (STF), as novas regras impactam diretamente o tempo de reclusão do ex-presidente.

O que muda na prática para o ex-presidente?
A nova legislação ataca três frentes que favorecem a redução do tempo de prisão:

Fim da Soma de Penas (Concurso Material): Atualmente, as penas por "golpe de Estado" e "abolição violenta do Estado Democrático" são somadas. Com a nova lei, quando os crimes ocorrem no mesmo contexto, prevalece apenas a pena do crime mais grave. Isso pode reduzir a condenação total de Bolsonaro em cerca de 50%.

Progressão de Regime Acelerada: O tempo mínimo para passar do regime fechado para o semiaberto caiu de 25% para 16% da pena total para réus primários.

Abatimento por Prisão Domiciliar: A lei agora permite considerar períodos de prisão domiciliar para reduzir o tempo total de reclusão, algo que antes era restrito apenas a quem trabalhava ou estudava na prisão. Como Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 24 de março de 2026 por motivos de saúde, esse período já começaria a contar a seu favor.

Estimativa de Liberdade
Pelo cálculo anterior da Vara de Execuções Penais, Bolsonaro só teria direito ao regime semiaberto em abril de 2033. Com o PL da Dosimetria, aliados e advogados estimam que o tempo de cumprimento efetivo no regime fechado possa cair para apenas 2 anos e 3 meses, antecipando significativamente sua saída.

Inelegibilidade Mantida
Apesar do alívio na esfera penal, a nova lei não altera os direitos políticos. Jair Bolsonaro permanece inelegível e impedido de disputar as eleições, uma vez que a lei da dosimetria trata apenas da execução da pena e do tempo de prisão, não anulando os efeitos da condenação que o afastaram das urnas.

O governo federal e a bancada do PT já anunciaram que pretendem acionar o STF para questionar a constitucionalidade da lei, alegando que crimes contra a democracia não deveriam ser passíveis de tais reduções.

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