PORTAL DIÁRIO MS ONLINE

Política

Política

O desespero do PT para tentar a virada no segundo turno

Atrás nas urnas e sob pressão, cúpula petista reúne aliados, recalibra discurso contra o Judiciário e busca contenção de danos nos estados

07/10/2026
Capa

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Por Eliel Oliveira

A confirmação do segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acendeu o sinal de alerta máximo no Palácio do Planalto e na diretoria nacional do PT. Chegando à etapa decisiva em desvantagem — após uma diferença de mais de 2,2 milhões de votos favorável ao candidato da oposição no primeiro turno —, o partido tenta reorganizar suas fileiras em ritmo de urgência para tentar uma virada histórica até o dia 25 de outubro.

A atmosfera de tensão nos bastidores se refletiu nas primeiras reuniões de emergência convocadas pela coordenação de campanha na capital federal. O diagnóstico interno reconhece o desgaste da candidatura e o impacto do avanço das forças de centro-direita pelo país.

Reuniões de emergência e busca por culpados
Logo nas primeiras horas após o encerramento da apuração, Lula reuniu os principais caciques do PT e coordenadores de campanha em Brasília para avaliar os motivos do desempenho abaixo do esperado nas urnas. O encontro foi marcado pelo tom de cobrança e pela busca por explicações para a perda de espaço, principalmente em regiões estratégicas do Sudeste e do Centro-Oeste.

Em um movimento que surpreendeu até interlocutores próximos, a estratégia inicial do presidente para tentar contornar a crise incluiu ataques públicos ao Judiciário, apontando que a desconfiança gerada por escândalos e denúncias recentes na Suprema Corte prejudicou a imagem do governo e contaminou a disputa eleitoral.

Paralelamente, a cúpula nacional orientou que o foco absoluto da propaganda eleitoral passe a ser o "tête-à-tête" — o confronto direto de projetos e biografias durante o horário eleitoral e os debates na TV.

A batalha contra a abstenção e a mobilização nos estados
A principal aposta do PT para reverter o placar repousa em duas frentes pragmáticas:

Redução da abstenção no Nordeste: A ordem interna é mover toda a máquina partidária nos estados nordestinos para resgatar eleitores que faltaram ao primeiro turno, considerados decisivos para garantir o teto histórico de votação da sigla.

Reorganização de palanques no Centro-Oeste e Sul: Em locais onde a oposição obteve vitórias expressivas no primeiro turno, o partido busca articular lideranças locais para estancar a sangria de votos.

Em Mato Grosso do Sul, por exemplo — onde Flávio Bolsonaro conquistou 58,60% dos votos válidos contra 34,68% de Lula —, bancadas e lideranças petistas do estado, como o deputado federal Vander Loubet e Fábio Trad, foram convocados a Brasília para alinhar a contraofensiva regional. O plano local prevê foco intensivo na busca pelo eleitor abstêmio e em agendas pontuais no interior, embora a agenda do presidente privilegie os grandes centros urbanos do país.

O cenário desfavorável e o avanço da oposição
A missão da campanha petista, contudo, esbarra na consolidação de alianças adversárias. A oposição rapidamente articulou apoios de governadores de peso eleitos ou reeleitos ainda no primeiro turno, como Eduardo Riedel em MS, Romeu Zema em MG e Ronaldo Caiado em GO, ampliando a capilaridade da candidatura do PL.

Com um prazo de campanha encurtado para o segundo turno, o PT corre contra o tempo entre rever a própria narrativa de governo e mobilizar a militância nas ruas na tentativa de evitar a consolidação da derrota na votação de 25 de outubro.

Leia Também